sexta-feira, 25 de julho de 2008

Lição de Vida?



(Antenor Emerich)

O que é uma lição de vida?
Quem aprende, sempre aprende uma lição de vida.
Uma vez eu aprendi uma lição de vida.
Meu filho completava 09 anos naquele ano, e eu prometi a ele que o ensinaria a nadar.
Mas já tinha aprendido com Nietzsche que a árvore que queira crescer até o céu tem que lançar suas raízes até o inferno. E não ficou nisso.
Naquele verão fui com meus filhos ao rio. Ordenei aos três menores que ficassem à margem do rio, esclarecendo a geral que neste verão Calil aprenderia a nadar. Ninguém da família duvidou disso. Ao garoto só em dente disse que deveria mergulhar e com as mãos pegar o dedão do meu pé esquerdo. A água na altura de minha cintura. Muito clara e fresca, faz de nossos verões lembranças inesquecíveis.
Ele tentou a primeira vez e chegou até o joelho. Mas ao voltar dei vivas de alegria por ter ido tão longe já da primeira vez.
Como prêmio eu peguei ele pelo pé e o impulsionei para cima, fazendo-o saltar além do nível d’água formando um arco com o próprio corpo mergulhando de volta na água.
A gritaria na margem foi geral, é muito importante que o mais velho tenha sucesso. Eu também quero, pai, faz comigo também, pai, de novo pai!. Só em dente voltava do fundo.
Agora só depois que pegar o dedo. Foi questão de tempo.
Ele acabou perguntando por que não o ensinava a nadar. Quer aprender a nadar? Tem que aprender a respirar dentro d’água. A primeira coisa a aprender é ir no fundo e voltar. Quem sabe mergulhar não morre afogado.
Logo eu entrelaçava os dedos, Calil punha o pezinho e eu o impulsionava para cima ele ajuda voando muito alto e caindo como um delfim na água às minhas costas.
Mergulha fundo, o arco formando um círculo enquanto ele cruza entre minha pernas retornando pela frente ficando frente a frente comigo, eu com água pelo pescoço o seguro pela cintura.
Depois ele passou um tempo mais perto da margem treinando para nadar sob a superfície. Quando demorou muito para entender o chamei. O que há, porque não entendeu ainda?
De fato ele esguio, para a idade, havia pouca massa corpórea, afundava fácil. Estica bem o braço e força a bunda pra cima. E não se preocupe, o fácil não é afundar, o difícil é se manter debaixo d’água. Ele sabia o trabalho que passara para mergulhar e manter-se no fundo do rio.
Entendeu, e nadou, e pulou do barranco, e pulou da ponte, e eu pulei, pulamos os dois. Pai e filho, de 10 anos pulando juntos da ponte no fundo do rio e cada um por si, cada um que desse um jeito de chegar a margem. Então entreguei a ele dali em diante a responsabilidade de decidir de onde pular. Ele não morreria mais afogado. Estava aprendida essa etapa.

3 comentários:

Debora disse...

é, realmente foi uma lição, não só pro Calil...
lembro com admiração, o teu jeito de ensiná-los (tirando os momentos de muita rigidez, hehehe)
muitos pais deveriam aprender contigo, como incentivar seus filhos...

Anônimo disse...

Acho que me falta a coragem de eu descer do pedestal de orgulho Mas talves não existam escadas....apenas um barranco alto....da altura do meu orgulho e que eu so posso pular se realmente desejar
SO DEPENDE DE MIM

Edevar disse...

Este anonimo ai em,cima fui eu que fiz besteria e publiquei